Noite morna!




O céu se derrama em estrelas. A noite é morna. O desejo sobe da terra em ondas de calor.

Ela ouve batidas na porta. Batidas ritmadas. Solta um gritinho de êxtase e o livro que lia cai no tapete, já esquecido. Caminha para a porta embalada pela música suave que sai do aparelho de som, embreagada pelo perfume que adentra a sala, fazendo o seu sangue pulsar.

Rosas!

Ele traz rosas vermelhas, risos, surpreso por combinarem com o vestido dela. E, num rompante de volúpia, ela não tem dúvidas: agarra-o freneticamente. Então seus lábios se encontram, esquecem as rosas, esquecem a noite lá fora que até parece brilhar mais agora.

Ela se deixa levar molemente pelo afago apertado e demorado. Em sua mente dançam trechos do livro, que agora descança sob um vestido vermelho e uma camisa amassada.

”Amo o chão que ele pisa

O ar que respira

Tudo quanto toca

E tudo quanto diz…”

Ele descobre e redescobre os mistérios do seu corpo, sussurra-lhe palavras que a fazem fechar os olhos, apertá-lo com mais força e sonhar.

”Amo todos os seus olhares

Todos os seus gestos…”

Ah, se pudessem ouví-los! Gemidos, risinhos e respirações ofegantes. O cheiro dos seus corpos, o perfume dos seus hálitos misturando-se…

”Amo-o todo inteiro

Completamente…”

Os cabelos dela em volta do pescoço dele, suas pernas em volta do corpo musculoso, quando num rompante de delírio, quase sem fôlego, eles se transformam num único ser.

”Seja de que forem feitas as nossas almas,

São a mesma.”


By Marlene Bastos

(ao ler o Morro dos Ventos Uivantes).

2 comentários:

  1. Gente, sou suspeita, mas vou dizer assim mesmo: adoro essa Marlene Bastos, ela é demais, escreve tãããooo bem! kkkkk
    Bjokas

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  2. Eu tenho que concordar!
    Bjs mana.

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