Certos momentos e nada mais



Ele me olha daquele jeitinho, joga um beijo no ar e se vai. Seu cheiro fica em mim, como sempre, assim como o som da sua voz que se perde no silêncio da distância e invade a minha então solidão. O sofá me olha de lado, denunciando sua ausência, posso vê-lo novamente, ali jogado, desprendido e despojado e ainda o sinto assim. Mesmo sabendo que, diante de minhas renúncias e loucuras, o que sinto por ele possa machucar, aceito esta como a única forma de viver a vida plenamente.

É imprevisível o sentimento, rio pra mim mesma, é incontrolável a emoção. É um sentimento se mostrando mais poderoso do que eu e minhas listas de certo e errado. É o amor me provando ser mais óbvio do que todas as minhas certezas. Mas o que posso fazer? Ele é o responsável pelas minhas manhãs de esperança, noites de aconchego, tardes de beleza.... E no fim, tudo se finda em nós mesmos e em certos momentos, nada mais. Eu havia prometido não tentar entender, mas apenas sentir este amor que extrapola tudo o que sou.

Mas gosto da sensação de ainda ser eu mesma, lá no fundo, apesar das mudanças denunciadas no reflexo do espelho. Vejo que desapareceram as marcas negras de outrora, eu pantera de mim, mesmo quase sem resquícios de sua existência, ainda vive, e se esconde por traz de um sorriso meia boca. Somente o sol de sua presença faz a pantera negra fugir e esconder-se no negrume dos sentimentos, numa gaveta escondida, empoeirada...

Porém já não há a desejada e escolhida solidão, pois a razão se perdeu quando o desejo da sua presença extrapolou na saudade, na necessidade dos seus ares, do sorriso de menino que brinca de ser homem, como quem pede ao tempo mais uma chance para viver como antes, como na foto pequena e o sorriso de criança.

Menino levado, de sorriso maroto, um dos mais bonitos que escolhi para minha coleção, que transformou a minha vida em antes e o depois da sua existência em mim. Diante disto, aceitei a simplicidade do sentimento, carregado, no entanto de tanta loucura e muita emoção. Amá-lo é como um vício, de querer estar preso por vontade, deste sentimento que não apenas aquece com delírios e desejos, mas também queima com paixões e ciúmes.

Amor obstinado, que gosta do impossível e não tem medo do improvável, num momento de desatino encontrou meu coração. Coração antes desprendido, envolto em chamas de orgulho, hoje transparente, doando-se sem pensar. Ah menino maroto... amá-lo mais que a mim mesma é a única sentença verdadeira nesta confusão de palavras soltas no ar, verdade esta inconfessável, porém absoluta, pois o que chamam de destino, chamo de inevitável.



Isabelly Kim

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